Quando chamam de “penduricalho” o que é pagamento por plantão, acúmulo de unidade, férias trabalhadas e atuação além da própria titularidade, não estão atacando um privilégio.
Estão desrespeitando trabalho.
Há magistrados e membros do Ministério Público sustentando comarcas, respondendo por outras unidades, cobrindo férias, feriados, finais de semana e madrugadas para que a Justiça não pare.
Enquanto muita gente dorme, há alguém decidindo urgências, protegendo direitos, impedindo ilegalidades, preservando vidas, patrimônio, liberdade e dignidade.
Isso não é excesso. Isso é serviço prestado.
O problema é que virou moda criticar sem conhecer.
Virou fácil transformar dever cumprido em manchete maldosa.
Virou comum apontar o dedo para quem está sobrecarregado, mas raramente olhar para a estrutura insuficiente, para o déficit acumulado, para a ausência de recomposição e para o peso real da função.
A sociedade precisa entender uma coisa: enfraquecer a magistratura e o Ministério Público não atinge juízes e promotores como pessoas.
Atinge a própria Justiça.
Quem desvaloriza essas funções enfraquece justamente os cargos que existem para defender o cidadão quando ele mais precisa.
Não se trata de vaidade. Não se trata de luxo. Não se trata de privilégio.
Trata-se de respeito institucional.
Valorizar juízes e promotores é valorizar a independência, a coragem e a continuidade da Justiça.
Porque quando a Justiça é atacada, o prejuízo nunca fica só dentro dos fóruns. Ele bate na porta de toda a sociedade.
Pedro Paulo Oliveira é juiz titular da 5ª Vara Cível da comarca de Anápolis