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"Justiça sob ataque: prejuízos para a sociedade" | Por Pedro Paulo Oliveira, juiz titular da 5ª Vara Cível de Anápolis

"Justiça sob ataque: prejuízos para a sociedade" | Por Pedro Paulo Oliveira, juiz titular da 5ª Vara Cível de Anápolis

Quando chamam de “penduricalho” o que é pagamento por plantão, acúmulo de unidade, férias trabalhadas e atuação além da própria titularidade, não estão atacando um privilégio.

Estão desrespeitando trabalho.

Há magistrados e membros do Ministério Público sustentando comarcas, respondendo por outras unidades, cobrindo férias, feriados, finais de semana e madrugadas para que a Justiça não pare.

Enquanto muita gente dorme, há alguém decidindo urgências, protegendo direitos, impedindo ilegalidades, preservando vidas, patrimônio, liberdade e dignidade.

Isso não é excesso. Isso é serviço prestado.

O problema é que virou moda criticar sem conhecer.

Virou fácil transformar dever cumprido em manchete maldosa.

Virou comum apontar o dedo para quem está sobrecarregado, mas raramente olhar para a estrutura insuficiente, para o déficit acumulado, para a ausência de recomposição e para o peso real da função.

A sociedade precisa entender uma coisa: enfraquecer a magistratura e o Ministério Público não atinge juízes e promotores como pessoas.

Atinge a própria Justiça.

Quem desvaloriza essas funções enfraquece justamente os cargos que existem para defender o cidadão quando ele mais precisa.

Não se trata de vaidade. Não se trata de luxo. Não se trata de privilégio.

Trata-se de respeito institucional.

Valorizar juízes e promotores é valorizar a independência, a coragem e a continuidade da Justiça.

Porque quando a Justiça é atacada, o prejuízo nunca fica só dentro dos fóruns. Ele bate na porta de toda a sociedade.

Pedro Paulo Oliveira é juiz titular da 5ª Vara Cível da comarca de Anápolis